10
de maio, um dia que não deve
ser esquecido
Para
que o passado escravagista seja mais
conhecido e compartilhado por todos,
a França escolheu esse dia para
comemorar anualmente a abolição
da escravatura.
Escolher
uma data para comemorar a abolição
da escravidão, como previa o
artigo 4 da lei Taubira de 10 de maio
de 2001, é, sem dúvida,
uma forte ação. Único
país que adotou um texto no qual
a escravidão é classificada
como um crime contra a humanidade, a
França também é,
hoje, o primeiro grande país
ocidental a comemorar, oficialmente
e de maneira explícita, a abolição
dessa prática. À exceção,
com efeito, do “black story month”,
mês de fevereiro no qual os Estados
Unidos evocam a herança negra
americana, ou do dia 23 de agosto, declarado
oficialmente como Dia Internacional
da Lembrança do Tráfico
de Negros e de sua Abolição
pela Organização das Nações
Unidas para a Educação,
a Ciência e a Cultura (UNESCO)
em 1988, em comemoração
à insurreição dos
escravos de Santo-Domingo, no Haiti,
na noite de 22 para 23 de agosto de
1791.
O dia 10 de maio de 2006 inaugurou,
portanto, o dia da memória do
tráfico de negros, da escravidão
e de suas respectivas abolições
e viu florescerem comemorações
na metrópole, no além-mar
e no continente africano.
Mas, se “a grandeza de um país
significa assumir sua história,
com suas páginas gloriosas mas
também suas páginas obscuras”,
é necessário também
que se criem instrumentos para a construção
de um presente mais lúcido e
um futuro melhor. Nessa perspectiva,
foi previsto que o tema da escravidão
encontre seu justo lugar nos próximos
programas escolares, que seja criado
um Centro Nacional de Pesquisa, tanto
para os pesquisadores quanto para o
grande público e que uma iniciativa
européia e internacional possa
punir as empresas que praticarem novas
formas de escravidão, como o
trabalho forçado e o trabalho
infantil.
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Na capa do suplemento
de fim-de-semana do jornal Le Monde,
um dossiê sobre "A questão
negra. A França, a escravidão
e a colonização".
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