| Myriam
Lamare, a intocável

Durante sua luta vitoriosa
contra a inglesa Jane couch,
em 5 de dezembro de 2005, no campeonato mundial
Com trinta
e um anos de idade, a jovem campeã
mundial de boxe soube impor sua presença
num mundo masculino e entrou para a história
do boxe feminino.
Em 5 de
dezembro de 2005, no Palácio Omnisports
de Paris-Bercy, Myriam Lamare somava ao seu
título de campeã mundial WBA
(World Boxing Association) dos super-leves
o cinturão mundial WIBF (Women International
Boxing Federal), ganho contra a inglesa Jane
Couch por parada do árbitro depois
de apenas três rounds. Campeã
da França (1999) e da Europa (2000),
ela é, desde de 2004, a primeira campeã
do mundo de boxe profissional reconhecida
pela WBA.
Seu percurso,
impecável, registra uma série
de vitórias seguidas: “Cheguei
a esse prêmio (45 combates dos quais
3 derrotas em lutas como amadora, 11 vitórias
em 11 combates como profissional) graças
a minha motivação. Sou uma atleta
na alma e, sobretudo, uma competidora. Mas
ainda me falta a consagração:
os Jogos Olímpicos” para os quais
se prepara atualmente. Contudo, não
foi muito fácil chegar lá para
essa moça cuja mãe é
filha de um imigrante argelino e cujo pai,
filho de bretões, foi obrigado a tornar-se
carregador para sustentar a família.

Myriam Lamare
acrescentou recentemente o título
de campeã mundial de boxe profissional
(WBA) aos seus títulos francês
e europeu.
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Ainda
pequena, em Saint-Dennis (perto de Paris),
graças à televisão
interessou-se pelos grandes campeões
de boxe que, de certa forma, a influenciaram.
Aos dezessete anos, abandona os estudos
e se encontra, por acaso, com o mundo
do boxe francês, em 1996, depois
de ter feito seis anos de atletismo.
“Em 1999, para aperfeiçoar
minha técnica, fiz minha inscrição
num clube de boxe inglês em Toulouse.
Foi naquele momento que a aventura do
boxe inglês começou na
França. Ele oferecia uma maior
perspectiva de carreira e mergulhei
de cabeça. Eu precisava de reconhecimento.”
Foi também nessa época
que conheceu Louis Lavaly, o treinador
do ex-campeão mundial francês
Mehdi Sahnoune, que se tornou seu técnico.
Desde então, o boxe tornou-se
a sua vida e seus grandes momentos de
verdade. Mas também uma revanche
sobre todos os machistas do meio.
“Desde o início, venho
evoluindo em minha carreira em meio
a obstáculos. A teimosia de certos
homens em não reconhecer meu
trabalho me motiva a ganhar. É
um desafio que oferece o interesse duplo
de lutar como atleta e como mulher”
garante a campeã, morando atualmente
em Marselha, que reivindica seu papel
de pioneira e militante.
Fora do ring, a vida de Myriam é
semelhante à de muitas mulheres.
Aprende a tocar piano e flauta há
seis anos, adora cozinhar e viajar.
E, quando lhe perguntam se não
planeja uma carreira nos Estados-Unidos,
ela responde simplesmente que “os
contatos internacionais estão
se concretizando”.
Audrey
Levy jornalista
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