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ARTIGO
DO SECRETÁRIO DE ESTADO FRANCÊS
DOS ASSUNTOS EUROPEUS,
JEAN-PIERRE JOUYET, PUBLICADO NO JORNAL
“LE FIGARO”
Paris,
25 de agosto de 2008
“Queremos
reconciliar a juventude com a Europa”
Agradeço
muito sinceramente aos Senhores por
me encaminharem seu apelo “Por
um ‘new deal’ europeu”,
endereçado ao Presidente da República
[Nicolas Sarkozy] com vistas à
Presidência Francesa do Conselho
da União Européia.
Os
Senhores manifestam a sua vontade de
devolver uma forte ambição
européia ao nosso país
e reconciliar nossa juventude com o
projeto europeu.
Expressam
igualmente sua convicção
de que a presidência francesa
deve ser o momento de tomarmos iniciativas
decisivas em prol das empresas e da
Europa, especialmente em quatro direções
principais: a governança econômica
européia, o direito das empresas,
a afirmação das normas
européias em âmbito mundial
e a batalha pelo saber.
Quero
assegurar-lhes todo o apoio a sua iniciativa
e a plena mobilização
da Presidência Francesa nessas
quatro prioridades.
Sobre
a governança econômica
européia, compartilho com os
Senhores a convicção de
que um reforço da coordenação
das diferentes autoridades encarregadas
da política econômica européia
é indispensável para dar
mais coerência e força
à ação da União
Européia a serviço do
crescimento e do emprego. Por ocasião
das comemorações do décimo
aniversário da criação
do euro, a Comissão Européia
divulgou algumas propostas objetivando
reforçar essa governança
econômica, e a Presidência
Francesa concederá uma importância
particular ao debate que se iniciará
sobre essas bases no seio do Conselho
de Ministros das Finanças.
No
que diz respeito à criação
progressiva de um estatuto jurídico
europeu, compartilho a sua constatação
das manifestas desvantagens surgidas
no seio do mercado único, através
da persistência de regras nacionais
excessivamente dispersas, apesar dos
progressos realizados nos últimos
anos, com a adoção de
um estatuto da sociedade européia.
Por esta razão, a Presidência
Francesa dará amplo espaço
à elaboração de
um estatuto jurídico propriamente
europeu para as empresas, especialmente
as menores delas, com o projeto de “sociedade
privada européia”. Esse
projeto, que será apresentado
no “Small Business Act”
europeu, proposto pela Comissão
Européia, reforçará
o lugar das pequenas e médias
empresas no mercado interno. Tentaremos,
além disso, fazer avançar
o projeto de estatuto europeu das mútuas,
que acaba de ser aprovado pelos profissionais.
Quanto
ao fortalecimento das normas européias
no cenário internacional, associo-me
à sua convicção
de que apenas uma iniciativa harmônica
em âmbito europeu será
capaz de fazer com que surjam amanhã
normas técnicas que sejam um
instrumento de influência decisivo
para nossas empresas no mercado mundial.
Trata-se
de uma etapa particularmente importante
dessa “dimensão externa”
da política de competitividade
européia que desejamos propor
aos nossos parceiros, com o apoio da
Comissão Européia. A Presidência
Francesa se apoiará no lançamento,
decidido em março passado, da
reflexão sobre o futuro da estratégia
de Lisboa após 2010, para dar
um grande destaque a essa importante
dimensão da política industrial
e da política de inovação
da União Européia. O relatório
que Laurent Cohen-Tanugi acaba de entregar
ao governo, sobre a Europa e a globalização,
traz, sob esse ponto de vista, alguns
primeiros elementos úteis que
vão ao encontro das análises
que os Senhores fazem.
A
afirmação das normas européias
no setor financeiro parece-me particularmente
necessária. A Presidência
Francesa dará uma ênfase
particular ao reforço do peso
da Europa no cenário financeiro
internacional, para que possa lutar
contra os manifestos desvios do capitalismo.
A reação da União
Européia diante da crise financeira
oferece-nos a ocasião para defendermos
uma visão européia mais
responsável do funcionamento
da esfera financeira e das renovadas
normas de transparência e responsabilização
dos atores.
A
afirmação dos valores
europeus diante dos desvios do capitalismo
passa igualmente por uma retomada da
dinâmica social a partir das propostas
da Comissão sobre uma nova agenda
social. A Presidência Francesa
se engajará fortemente a favor
da proposta de diretiva sobre o comitê
de empresa europeu e sobre o reforço
da mobilidade dos jovens, especialmente
dos aprendizes.
Por
fim, no que se refere à batalha
pelo saber, empreendida em âmbito
mundial, a Presidência Francesa
pretende contribuir fortemente para
o impulso que os Senhores esperam em
prol da economia relativa ao conhecimento.
Trata-se, com efeito, de uma prioridade
absoluta para a Europa, se esta quiser
preservar, a longo prazo, seu conhecimento
e seus empregos. A reflexão sobre
o futuro da estratégia de Lisboa
também terá que levar
em conta essa exigência de revisão
das políticas comuns e das políticas
nacionais de reforma.
De
modo concreto, a Presidência Francesa
buscará fazer com que avance
a construção do espaço
europeu da pesquisa, que tem por objetivo
dotar a União de uma “quinta
liberdade”, ou seja, a mobilidade
dos pesquisadores.
Como
os Senhores salientaram, a Presidência
Francesa ocorre durante um contexto
econômico e financeiro mundial
agitado. Mais do que nunca, os europeus
têm necessidade de sentir a capacidade
concreta da União Européia
de contribuir para a proteção
dos interesses das empresas e corresponder
às expectativas dos cidadãos
num contexto internacional cada vez
mais competitivo. Trata-se de uma exigência
fundamental para a aproximação
dos povos europeus do projeto comunitário.
Sob o forte impulso do Presidente da
República, os Senhores podem
contar com as autoridades francesas
para defender e transmitir essa mensagem
aos nossos parceiros europeus durante
o semestre que se inicia.
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