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Política Internacional
e Diplomacia |
VISITA
À SÍRIA
ENTREVISTA
COLETIVA DE IMPRENSA
DO MINISTRO FRANCÊS DAS RELAÇÕES
EXTERIORES E EUROPÉIAS,
BERNARD KOUCHNER,
E DO MINISTRO DAS RELAÇÕES
EXTERIORES DA REPÚBLICA ÁRABE
SÍRIA,
WALID MOUALLEM
-
PALAVRAS DE KOUCHNER -
Damasco, 25 de agosto
de 2008
Agradeço a V.Exª, Senhor
Ministro. Estou muito feliz por me encontrar
ao seu lado em Damasco. Nós havíamos
prometido isso há muito tempo,
assim que a situação no
Líbano tivesse melhorado e que
a eleição do presidente
libanês tivesse sido possível.
Estamos inaugurando uma nova era nas
relações entre a Síria
e a França. Estive ontem no Líbano,
para uma visita rápida demais,
mas infelizmente estivemos ocupados
tanto com o Afeganistão quanto
com a Geórgia.
Como
acaba de dizer o ministro sírio
das Relações Exteriores,
nós constatamos que havia um
progresso, uma melhora, que a vida cotidiana
estava mais fácil no Líbano.
Não só graças à
eleição do Presidente
da República, à designação
de um Primeiro Ministro, Fouad Siniora,
como também de um governo que,
é verdade, demorou para ser composto,
mas agora está composto, e a
uma declaração ministerial
que foi aceita pelo parlamento. A partir
daí, com um diálogo nacional
que deve ser conduzido pelo presidente
Sleimane, politicamente, as coisas vão
melhor no Líbano. Eu poderia
me prolongar a respeito da situação.
Trata-se de um país que amamos,
que a França ama, que a França
apóia e estou feliz por ver as
novas disposições da Síria
caminharem nesse sentido.
Como
destacou Walid Mouallem, falamos também
a respeito do Iraque. Abordamos a situação
preocupante do Irã, assim como
a posição da comunidade
internacional diante dessa questão.
Falamos da paz em geral no Oriente Médio.
Estamos felizes com o fato de o Presidente
nos ter falado de seu sentimento com
relação às conversações,
às negociações,
aos contatos que estão surgindo,
especialmente entre a Síria e
Israel por intermédio da Turquia.
Em toda a região, constata-se
um movimento que consiste em se falar
com mais facilidade. Felicitamos nossos
amigos sírios por isso.
Abordamos
outros assuntos, mas, em essência,
foi isso. Agradeço ao Ministro
sírio das Relações
Exteriores por tão boa acolhida
à delegação francesa.
Pergunta:
O Senhor falou muito do Líbano.
Mas não falou muito a respeito
das relações entre a França
e a Síria precisamente. Pode
nos falar um pouco mais especialmente
da perspectiva da visita do Presidente
Sarkozy?
Resposta:
Se me permite, darei apenas uma idéia,
reservando a surpresa para o momento
da visita do Presidente da República
Francesa. É claro que ainda falaremos,
os dois presidentes falarão da
situação no Líbano,
do calendário a ser seguido e
que encorajamos de nossa parte, sem
que essas decisões nos pertençam.
São decisões que pertencem
à Síria, país soberano,
e ao Líbano. Os dois presidentes
falarão da paz em geral. Eles
falarão das relações
econômicas e culturais entre os
dois países, e haverá
uma inauguração no Liceu
Charles de Gaulle.
Por
fim, o último ponto de que falei
a Walid Mouallem foi que somos muito
reconhecidos à Síria por
terem cuidado de 1,5 milhão de
refugiados iraquianos. Trata-se de um
esforço considerável que
vamos saudar durante uma visita que
efetuaremos esta tarde, mas cuja importância
devo salientar.
P.:
(A respeito da forma como outros países
receberam a retomada das relações
franco-sírias e de uma ligação
com o uso pacífico da energia
nuclear).
R.: Este
também é um ponto sobre
o qual concordamos. A França
está muito atenta ao que se passa
na região. É verdade que
ainda não entramos em acordo
com a Síria – isso não
é segredo para ninguém
– mas é verdade também
que, com a vinda do novo Presidente
da República, uma nova política
será oferecida, não só
aos nossos amigos sírios, mas
de maneira mais geral. Nós tínhamos
que defender fortemente os interesses
do povo libanês, pois trata-se
de nossos amigos.
Dissemos
abertamente e repeti várias vezes
que, se o processo constitucional libanês
desenrolar-se de uma boa maneira –
acordo de Taëf, Constituição
libanesa – então restabeleceríamos
relações mais estreitas
com a Síria. Fizemos isso e estamos
felizes por encorajar tudo o que siga
nessa direção.
P.:
(A respeito do papel intermediário
que a França poderia desempenhar
entre Israel e Síria).
R.: Se
a França pode ter um papel no
processo de paz em geral, no processo
israelense-palestino em particular,
ou no processo israelense-sírio,
ela o fará de boa vontade. Para
isso, é necessário o consentimento
dos protagonistas. Não há
nada pior do que tentar, contra a vontade
desses protagonistas, ingerir-se em
um processo de paz. Por enquanto, há
um processo entre Síria e Israel
por intermédio da Turquia que
funciona bem, e nós parabenizamos
seus protagonistas. Existe um processo
entre os egípcios, o Hamas e
Israel, que também vem se desenrolando
bem. Nós desempenhamos nosso
papel entre os palestinos e Israel.
Organizamos – e acho que foi um
sucesso – a conferência
de Paris sobre o processo de paz. Continuamos
juntamente com Tony Blair, com o Quarteto.
Somos responsáveis pela continuidade
da conferência de Paris, com projetos
e com muito dinheiro. Infelizmente,
deploramos que, na Palestina, no Estado
Palestino que desejamos, as coisas caminhem
tão lentamente, pois temos projetos
e gostaríamos que eles fossem
concretizados.
P.:
O Senhor evocou a constatação
de uma melhora da situação
no Líbano. Em seus encontros
aqui em Damasco, o Senhor tem o sentimento
de ter obtido garantias quanto a uma
continuação dessa melhora?
R.: Não
apresentei condições e
não pedi provas escritas. Constatei
a boa vontade de continuar esse processo
particularmente com uma data para a
troca de embaixadores, que deverá
acontecer até o fim do ano. Estou
feliz com isso. Há muitos pontos
que não me deixam feliz. Falei
disso com o Presidente Bachar Al-Assad.
Trata-se, evidentemente, da situação
em Trípoli, que pode vir a piorar.
Há a questão do Hezbollah,
sobre a qual estamos igualmente muito
atentos. Há o problema dos discursos,
por parte tanto de Israel quanto do
Líbano, e o discurso de Nasrallah
ontem. Mas, para responder de forma
breve e aproximada, acho que isso vai
um pouco melhor. A visita do Presidente
permitirá que todos esses pontos
sejam esclarecidos.
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