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Política Internacional
e Diplomacia |
PACTO
EUROPEU SOBRE A IMIGRAÇÃO
E O ASILO
AUDIÊNCIA
DO MINISTRO FRANCÊS DA IMIGRAÇÃO,
DA INTEGRAÇÃO, DA IDENTIDADE
NACIONAL
E DO DESENVOLVIMENTO SOLIDÁRIO,
BRICE HORTEFEUX,
PERANTE A DELEGAÇÃO PARA
A UNIÃO EUROPÉIA
DA ASSEMBLÉIA NACIONAL FRANCESA
Paris, 23 de julho de
2008
Brice Hortefeux fez um balanço
do primeiro ano de uma atividade plena
de objetivos atingidos.
O
primeiro era institucional: a criação
de um novo ministério com direitos
de regalia. Pela primeira vez na história
da Quinta República, um ministério
de pleno exercício recebe a responsabilidade
de gerir todo o percurso de um estrangeiro
candidato à imigração,
desde a acolhida no consulado até
a integração – e
mesmo o acesso à nacionalidade
francesa – ou de retorno ao país
de origem. O ministério dispõe,
desde 1º de janeiro, de uma administração
autônoma e um orçamento
próprio. O exercício foi
arriscado, mas esse resultado obtido
está em perfeita adequação
com a reforma do Estado pretendida pelo
Presidente da República: o ministério
até recebeu o prêmio da
inovação dos Troféus
da Modernização do Estado.
O
segundo objetivo atingido foi o de ordem
política, já que se tratava
da implementação das orientações
estabelecidas pelo Presidente da República
e o Primeiro-Ministro.
Em virtude do princípio da soberania,
a França tem o direito de escolher
quem ela quer e quem ela pode acolher
em seu território. As leis de
21 de julho de 2006 e de 20 de novembro
de 2007, que já foram objeto
de cinco decretos de aplicação,
fornecem à França novos
instrumentos jurídicos para a
promoção da imigração
profissional e o controle da imigração
familiar.
Em
virtude do princípio de justiça,
os imigrantes ilegais que tenham respeitado
o percurso integral e possuam um visto
de permanência, podem ambicionar
adquirir um dia a nacionalidade francesa.
Em
virtude do princípio da legalidade,
um estrangeiro em situação
irregular, num Estado de direito, salvo
em casos particulares, deve ser reconduzido
ao seu país de origem, tanto
quanto possível de maneira voluntária,
ou, não podendo ser assim, por
obrigatoriedade.
O
terceiro objetivo atingido era o objetivo
de uma boa execução.
O Ministério conseguiu organizar
melhor a imigração legal
obtendo um evidente reequilíbrio
dos fluxos migratórios em favor
do imigrante profissional. De 1º
de junho de 2007 a 31 de maio de 2008,
o número de estrangeiros que
ingressaram legalmente na França
aumentou 36,7%. Essa tendência
confirmou-se durante os cinco primeiros
meses de 2008: o número de visitas
médicas de migrantes profissionais
à Agência Nacional de Acolhimento
de Estrangeiros e de Migrações
(ANAEM) aumentou 43% em relação
ao mesmo período do ano de 2007,
enquanto que o número de vistos
de longa duração concedidos
por motivo profissional aumentou 28,6%.
Paralelamente,
a imigração familiar,
crescente desde os dois choques de petróleo,
caiu 12,6% em um ano: 84.921 pessoas
foram recebidas nessa condição,
de 1º de junho de 2007 a 31 de
maio de 2008c contra 97.125 durante
o ano anterior. Também nesse
aspecto, essa tendência prosseguiu
durante os cinco primeiros meses de
2008.
Ao
mesmo tempo, a luta contra a imigração
ilegal registrou resultados muito significativos.
Em primeiro lugar, o número de
reconduções aumentou fortemente.
De 1º de junho de 2007 a 31 de
maio de 2008, 29.729 imigrantes clandestinos
foram reconduzidos aos seus países
de origem, ou seja um aumento sem precedentes
de 31% em relação ao ano
anterior. A tendência é
a mesma para os cinco primeiros meses
do ano. E, principalmente, o número
de estrangeiros em situação
irregular que aceitaram uma partida
voluntária aumentou: esse número
foi multiplicado por aproximadamente
cinco em um ano – mais de 374%.
Além do estímulo financeiro,
os interessados compreendem que devem
respeitar as regras e voltar aos seus
países com um projeto profissional,
com dignidade. O olhar de seus próximos,
com o seu retorno, é completamente
diferente, porque não voltam
fracassados.
A
política de acolhimento é
clara e compreensível, marcando
portanto incontestavelmente uma ruptura
com a história da imigração
das décadas anteriores. Nos anos
cinqüenta e sessenta, as empresas
criaram seu mercado no exterior e isso
contribuiu para o crescimento. Após
os choques do petróleo, os mecanismos
saíram de controle, porque o
desemprego aumentou e as necessidades
de mão de obra diminuíram.
Depois, os poderes públicos começaram
a se questionar a respeito da política
a ser empregada e um pouco mais de 80.000
pessoas foram regularizadas durante
o governo Jospin, tendo como conseqüência
uma claro apelo aos candidatos à
imigração – mas,
na época, parecia ser oportuno
zerar a situação para
recomeçar sobre novas bases.
Uma
luta sem trégua vem sendo aliás
empreendida contra todas as formas de
fraudes, especialmente as redes de imigração
ilegal. Desde junho de 2007, 1.429 agenciadores
foram presos. Sua atividade é
extraordinariamente lucrativa: em Meaux,
por exemplo, a extorsão chegava
a 250 euros por mês para o sustento
de vinte e um imigrantes em setenta
metros quadrados, mais 4.000 euros para
os documentos e 400 euros para o acesso
os chuveiros! Segundo o jornal “Le
Parisien”, os agenciadores de
uma outra rede ganhariam 16.000 euros
por semana. Além disso, em alguns
países de origem, os responsáveis
pelas redes não são pessoas
modestas, mas verdadeiras personalidades.
Embora isso requeira uma mobilização
policial considerável, é
preciso lutar implacavelmente contra
os agenciadores e sua rede. Desde 1º
de janeiro, graças à vontade
política demonstrada, o número
de agenciadores e “mercadores
de sono” interrogados pela polícia
aumentou respectivamente 15,3 e 28,8%.
Por
fim, os resultados em matéria
de luta contra o trabalho ilegal assumiram
outra dimensão. Determinados
empregadores fraudadores aproveitam-se
da mão de obra ilegal para desrespeitar
os direitos sindicais, a jornada semanal
de trabalho e o pagamento do salário
mínimo. Além disso as
empresas de construção
civil que empregam clandestinos participam
de licitações oferecendo
tarifas mais baixas que seus concorrentes
que respeitam a lei e que são,
conseqüentemente, prejudicados.
Em um ano, o número de empregadores
fraudadores citados passou de 2.228,
ou seja, um aumento de 105%. Políticos
eleitos têm se mostrado preocupados
e pedem clemência, pois estão
habituados a trabalhar com os empresários
da construção civil investigados.
Mas é imperativo fazer com que
a lei seja respeitada para não
se romper o princípio da igualdade
entre as empresas.
Também
foi empreendida uma luta contra a contratação
de empregados em situação
ilegal que possuam, em sua maioria,
documentos falsos, o que lhes permitiu
ludibriar o empregador.
O
Ministro abordou em seguida a questão
da Presidência Francesa da União
Européia.
Desde 1º de janeiro, a pedido do
Presidente da República, ele
visitou os vinte e seis outros países-membros,
que manifestaram, em sua totalidade,
interesse por sua iniciativa. A recepção
foi logicamente mais atenta nos quatro
outros países nos quais, juntamente
com a França, concentram-se 80%
dos fluxos migratórios para a
Europa – Itália, Espanha,
Grã-Bretanha e Alemanha. O mais
surpreendente é que os países
da ponta sul da Europa, Chipre e Malta,
totalmente saturados, estão muito
mobilizados. Chipre, país-membro
onde a taxa de população
imigrante é a mais elevada, com
12%, está sobrecarregado com
o número de pedidos de asilo.
A grande surpresa veio da Europa Central,
em particular da República Tcheca,
atingida por uma imigração
clandestina vinda da Geórgia
e de outros países do Leste,
mas também do Vietnã,
país cujos altos funcionários
eram formados em Praga na época
do bloco soviético: o consulado
tcheco na cidade de Ho-Chi-Minh expede
mais vistos que o consulado da França,
enquanto que esta última, ex-potência
colonial, é seis vezes mais populosa.
As
discussões com a Espanha não
foram em absoluto complicadas, mas ela
desejou reforçar o texto. A Espanha
não quer o contrato de acolhimento
e integração praticado
na França, na Alemanha e nos
Países Baixos. Ela pediu modificações
que levem em conta as suas especificidades:
a diversidade lingüística
e as identidades regionais. Enfim, para
evitar qualquer interpretação
religiosa, ela achou que a formulação
“todo estrangeiro em situação
irregular está destinado a ser
reconduzido ao seu país de origem”
deveria ser substituída por “todo
estrangeiro em situação
irregular deve deixar o território
nacional”, o que endurece muito
a proposta da França.
O
pacto europeu tem cinco ambições.
Em primeiro lugar, ele visa organizar
a imigração ilegal. Evidentemente,
não se trata de impor a cada
país o número de estrangeiros
que pode acolher em seu território;
tudo depende de sua situação
econômica e de suas necessidades.
O pacto deve fazer evoluir a situação
em matéria de acolhimento de
estudantes, onde a Europa tem levantado
obstáculos.
Em
segundo lugar, ele visa lutar contra
a imigração clandestina.
As regularizações devem
ser decididas caso a caso e não
de forma geral. O importante é
que os estrangeiros em situação
ilegal voltem aos seus países
de origem, porque a Europa não
pode acolher todo mundo.
Em
terceiro lugar, o pacto visa reforçar
a eficiência dos controles nas
fronteiras. A Agência Européia
pela Gestão e Cooperação
Operacional nas Fronteiras Externas
(FRONTEX) foi criada para proteger as
fronteiras marítimas, aéreas
e terrestres da União. Os países
envolvidos, como Chipre, Malta ou os
da Europa Central, não abordam
esse problema descontraidamente. As
conversações ainda não
avançaram muito nessa questão.
Em
quarto lugar, ele visa construir a Europa
do asilo. A idéia inicial era
conceder um status comum a todos os
refugiados, o que se revelou impossível
– embora todos os ministros do
Interior concordem quanto ao princípio
– pois os países-membros
possuem tradições radicalmente
diferentes. Ainda assim, graças
às discussões, um verdadeiro
avanço foi alcançado:
um escritório de apoio, situado
em Bruxelas, começará
a trabalhar a partir de 2009.
Em
quinto lugar, ele visa estabelecer uma
parceria global com os países
de origem e de trânsito. A política
européia de fluxos migratórios
não poderia ser empreendida sem
a África e os outros países
envolvidos. É preciso explicar
a esses parceiros que o pacto europeu
não se destina a fazer da Europa
um bunker, mas a impedir que ela continue
sendo “uma peneira”.
O
Ministro confirmou que o calendário
não facilita as coisas, mas reafirmou
que, no fundo, a diretiva de retorno
era uma boa idéia, compartilhada
aliás pelos socialistas alemães
e espanhóis, bem como pelos trabalhistas
britânicos. Os socialistas franceses
estão incontestavelmente isolados.
A diretiva resulta de uma iniciativa
da Comissão, validada por todo
o Conselho Europeu e aprovada por ampla
maioria pelo Parlamento Europeu. É
verdade que houve pouca comunicação
antes, o que sem dúvida explica
as dificuldades surgidas entre a Espanha
e uma parte da América Latina.
Em todo caso, a diretiva não
muda em nada a política francesa.
As
pessoas que têm seus pedidos de
asilo recusados pela Grécia tentam
a sorte na Suécia, onde ficam
apenas alguns anos, antes de ir para
a Grã-Bretanha, ou a França.
Uma política comum nessa área
é extremamente importante. Uma
conferência será dedicada
aliás ao asilo, em setembro,
e as associações serão
ouvidas durante a metade de um dia.
O
governo espanhol teve que reconsiderar
a sua política por pressão
dos eleitores. Assim, ele se preocupou
em fazer com que o pacto europeu não
parecesse uma severa negação
da política de regularizações
maciças. É por essa razão
que a política preconizada pelo
pacto não deve ser vista como
uma condenação do passado,
mas um claro compromisso com o futuro.
No
que diz respeito às regularizações,
o artigo 40 da lei relativa à
imigração, à integração
e ao asilo, aprovada por unanimidade,
possibilita a regularização
dos “sem documentos” apresentando
uma promessa de emprego. O governo havia
portanto antecipado e cogitado uma solução
simples. Mas não se deve ser
injusto com os imigrantes legais. Paris
soma 20.000 desempregados estrangeiros
em situação regular em
busca de trabalho e seria pelo menos
paradoxal encorajar aqueles que mentiram
uma primeira vez pedindo um visto de
turista, quando na verdade tinham a
intenção de permanecer,
e uma segunda vez ao apresentar aos
seus empregadores documentos falsos!
A política do governo consiste,
ao contrário, em ajudar prioritariamente
os cidadãos de nosso país,
os da União Européia e
os que se encontram em situação
legal.
A
Comissão Mazeaud validou juridicamente,
assim como o Conselho de Estado, o princípio
dos contingentes. Ela destacou em primeiro
lugar o caráter ilusório
e ineficaz de uma política exclusivamente
nacional. A Comissão preconizou
em seguida acordos bilaterais com os
países de emigração.
Ora, cinco acordos foram concluídos,
que vão além do co-desenvolvimento
e resolvem as questões de imigração
legal e ilegal. Quatro outros acordos
– com Cabo Verde, Ilhas Maurício,
Egito e Mali – deverão
prosseguir até o final do ano.
Um estudo muito recente das Nações
Unidas desenvolvido na Tunísia
junto aos candidatos à imigração
demonstra que apenas 15% deles estavam
decididos a tentar de tudo, fossem quais
fossem as decisões dos países
de acolhimento, o que comprova o avanço
de nossa mensagem. A Europa não
é um “bunker”, mas
ela deve estimular a via legal.
É
verdade que o acolhimento dos artistas
estrangeiros é delicado, pois,
se sua vinda é um incontestável
meio de se abrir e se enriquecer, não
se deve ignorar que, por exemplo, quando
se recebe uma orquestra de doze músicos,
algumas vezes apenas dois vão
embora... Nem por isso devemos fechar-lhes
o acesso ao território, mas os
postos diplomáticos receberam
instruções para dar uma
atenção particular àqueles
que pedirem um visto de caráter
artístico.
Por
fim, os números mencionados relativos
ao retorno dizem respeito à metrópole.
O
Ministro destacou a extraordinária
complexidade da situação
interna nos Camarões, um dos
países mais atingidos pelos distúrbios
ligados à fome. Os policiais
não fizeram outra coisa senão
aplicar a regulamentação
em vigor no espaço Schengen,
que obriga os visitantes estrangeiros
a justificar recursos suficientes para
cobrir toda a sua temporada. O caso
aparentemente grotesco apresentado por
Cocquempot será examinado. Uma
simplificação, na qual
se transformaria o visto de longa duração
em título de permanência
está sendo cogitada.
Quanto
ao papel desempenhado pela União
pelo Mediterrâneo, as questões
de migração foram logo
descartadas. Os temas abordados prioritariamente
foram a educação e a despoluição
do Mediterrâneo. Só num
segundo tempo é que a União
tratará da organização
dos fluxos migratórios.
O
recém-inaugurado sistema de ajuda
para o retorno espanhol prevê
o pagamento àqueles que estiverem
retornando aos seus países de
seu salário-desemprego, que varia
conforme a antigüidade. Ele será
necessariamente mais oneroso e serão
os mais experientes e os de melhor formação
que terão interesse em partir.
O dispositivo francês é
muito dinâmico, já que
um casal recebe 3.500 euros, acrescidos
de mais 500 por filho até o terceiro.
O ingleses aplicam mais ou menos o mesmo
sistema. Os resultados são encorajadores,
visto que os retornos voluntários
representam hoje 38% das reconduções,
contra 7% há dois anos. Assim,
é preciso ter em mente que as
quantias em questão desencadeiam
algumas vezes reações
hostis na população francesa.
O
Ministro constatou que não havia
sido possível, até o momento,
uma redução significativa
dos pedidos de asilo. Recursos suplementares
serão empregados nisso em 2009,
quando o Tribunal Nacional do Direito
de Asilo deverá ser anexado ao
Conselho de Estado e as formações
de julgamento dirigidas por magistrados
em tempo integral. Portanto, podemos
esperar uma melhora.
O
Ministro considerou que os centros de
retenção talvez sejam
excessivamente grandes. Mas é
preciso, nesse aspecto, manter a prudência:
os trabalhistas britânicos criaram,
no subúrbio de Londres, centros
privatizados de 500 lugares. Para o
centro e Vincennes, está planejada
a abertura, no mesmo lugar, de um primeiro
centro de 60 lugares e dois outros de
tamanho idêntico a serem construídos
posteriormente, numa capacidade total
de 180 lugares de acolhida. Essa decisão
foi resultado de uma discussão
com as associações, com
as quais está sendo aberto igualmente
um debate com relação
ao centro de Mesnil-Amelot. Este último,
mantido pela polícia militar,
é limpo, bem organizado e é,
em parte, privatizado, em particular
no que diz respeito à distribuição
dos alimentos e dos estojos de toalete
entregues aos recém-chegados.
Mas o debate gira em torno principalmente
de sua capacidade de acolhimento. Ao
todo, módulos de 60 a 80 lugares
parecem ser a melhor solução.
O
Ministro afirmou por fim que ele mesmo
havia interrogado Pierre Mazeaud a respeito
da necessidade de unificação
e simplificação dos procedimentos,
assunto sobre o qual o presidente da
Comissão de Leis também
fez propostas. As da Comissão
Mazeaud – em particular no que
diz respeito às audiências
transferidas de local e os registros
das comunas, que, embora possam lembrar
períodos sombrios de nossa história,
são utilizados em todos os outros
países e permitem colher informações
muito úteis – serão
examinados com a Chancelaria e as iniciativas
que convier tomar poderão ser
debatidas nos próximos meses.
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